sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dois filmes que me surpreenderam

Esta semana me deparei com dois filmes que me deixaram de queixo caído. O motivo disso não foram atuações dignas de Oscar ou roteiros super originais, e sim o fato de que, normalmente, eu nem passaria perto desses filmes. O que me levou a assistí-los foi um misto de ócio, acaso e breve confusão, mas nos dois casos descobri filmes interessantíssimos e que valem a indicação aos amigos. Eis eles.

Filme: Chalet Girl

Sinopse: Após a morte trágica da mãe, Kim abandona uma carreira promissora como skatista e passa a trabalhar num fast-food para ajudar o pai desempregado. Com as contas acumulando, ela recebe a irrecusável proposta de trabalhar quatro meses num resort de esqui na Áustria, onde encontra uma velha prancha de snowboard e percebe que tem um talento natural para o esporte. Envolvida por um mundo de luxo e glamour totalmente diferente do seu, Kim logo chama a atenção de um dos patrões, Johnny, e tem de lutar contra antigos traumas.

Motivo do preconceito: Sério? Mais uma comédia romântica da garota pobre que se envolve com o menino rico? Nos primeiros 15 minutos de filme alguém tem alguma dúvida de que Kim vai ganhar o campeonato de snowboard e agarrar o ricaço? Além do mais, não podiam arrumar alguém menos canastrão que Ed Westwick (o Chuck de Gossip Girl) pra fazer o galã?

Motivo da surpresa: Apesar dos clichês e das poucas surpresas, o resultado é um filme divertido e cativante, que em muitos pontos lembra "Bend it like Beckham", outra comédia britânica (Chalet Girl foi produzido na Inglaterra com fundos da Loteria Nacional) de sucesso com uma protagonista feminina. Westiwick conseguiu exorcizar o tarado Chuck Bass e surpreende ao interpretar um sincero garoto de alta classe que sonha em mandar a família às favas para se tornar um astro do rock (embora o filme deixe uma sensação de que este lado do personagem poderia ter sido mais explorado). Apesar da ótima atuação de Felicity Jones como a "pé no chão" Kim, o destaque fica para Tamsin Egerton no papel da oportunista "loura-burra" Georgie, colega de Kim no chalé; e para Ken Duken como Mikki, um desleixado esportista que acaba virando uma espécie de treinador para Kim.

Filme: Beastly (A Fera)

Sinopse: Kyle Kingson tem tudo: inteligência, beleza, riqueza e boas oportunidades, mas possui uma personalidade perversa e cruel. Após humilhar uma colega de classe, ele é amaldiçoado se torna tudo o que ele despreza. A única maneira de quebrar o feitiço é fazer com que alguém consiga amá-lo, algo que ele considera impossível.

Motivo do preconceito: Okay. É uma versão moderna de "A Bela e a Fera" com Vanessa Hudgens (de High School Musical) e Mary-Kate Olsen. Precisa dizer mais?

Motivo da surpresa: Longe de ser mais uma comédia adolescente com um toque de romance verdadeiro, Beastly é um filme muito mais sombrio do que se pode esperar. Diferentemente de adaptações anteriores, onde o protagonista se transformava em uma "fera", aqui essa transformação tem muito mais a ver com estereótipos de beleza, e é traduzida num corpo e rosto tatuados e cobertos de cicatrizes. Ironicamente, o resultado me lembrou muito o personagem Spider Jerusalem, da HQ Transmetropolitan (veja abaixo). A mensagem dessa vez tem a ver com ser aceito, e aceitar a si mesmo (tema altamente em voga hoje em dia, quando tanto se fala das consequências do bullying). Outro ponto interessante é a forma como Kyle se relaciona com o mundo exterior depois de se isolar, espiando os antigos colegas e a nova paixão por meio de redes sociais, e finalmente descobrindo o que as outras pessoas pensam dele (com ou sem beleza). Mary-Kate não é um primor em atuação, mas funciona bem como a "estranhinha" do colégio e justifica o apelido recebido dos colegas: Bruxa. Ela e Hudgens, se não trazem nada de fenomenal, pelo menos não atrapalham. O grande trunfo do filme está no roteiro, que sabe onde atualizar a fábula e onde mantê-la intacta, sem no entanto parecer algo forçado.

(Kyle, "a fera", e Spider Jerusalem)

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